
"O ensino deverá ser ministrado sob uma forma isenta de constrangimento... Porque o homem livre não deve aprender como um escravo; com efeito, quando os exercícios são praticados à força, o corpo não se encontra pior por isso, mas as lições que se fazem entrar á força na alma não ficam aí. Não uses de violência na educação das crianças, mas procede de modo que se instruam brincando; poderás assim discernir as tendências de cada uma."
(Platão, in "A República", Liv.VII - in Alberto Sousa, 2003, p.121)
O conceito de liberdade em educação refere-se á criação de um clima de aceitação, de tolerância, de abertura ás iniciativas e opções da criança. Se o professor aceitar a criança como ela é, se lhe permitir expressar livremente todos os seus sentimentos e atitudes, sem os julgar ou condenar, se todas as actividades forem organizadas com a criança e não para ela, consegue que se crie uma atmosfera livre de tensões. Um clima permissivo e compreensivo proporciona à criança um sentimento de liberdade, onde pode exprimir-se e criar sem quaisquer inibições. Por de lado a aprendizagem autoritária, não quer dizer eliminar o respeito ás normas e regras já estabelecidas.
Este é um conceito que deve ter-se sempre presente no trabalho com crianças com Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção.
Não esquecer que, a criança com PHDA destaca-se na sala de aula pelo seu comportamento desadequado e falta de atenção. Os adultos que lidam com estas crianças têm dificuldade em controlar os seus acessos de raiva. Estas crianças apresentam baixa tolerância á frustração, teimosia e instabilidade de humor. Têm tendência para o isolamento e falta de auto-estima, relacionadas á falta de aceitação por parte dos colegas e dos adultos. Muitos pais e professores interpretam os comportamentos da criança como voluntários, recorrendo aos castigos cujos resultados nem sempre são os esperados. As crianças com PHDA são frequentemente vistas pelos adultos e colegas como mal educadas e imaturas, sendo frequentemente submetidas á desaprovação e rejeição dos outros. Esta experiência repete-se ao longo do tempo e, associada ás próprias características temperamentais da criança com PHDA, contribui para que a criança se torne ainda mais isolada, frustrada, irritável e com maior tendência de controlo emocional. Todos estes factores vão contribuir para o fracasso escolar, social e familiar da criança.
"A criatividade, pode então, ser entendida como uma capacidade ou aptidão humana para produzir acções intelectuais inteiramente novas e desconhecidas de quem as produz. Poderão tratar-se de produtos da imaginação ou sínteses mentais, produzindo sempre caminhos novos, constituindo por isso uma capacidade mais importante que a de aprendizagem de conhecimentos."
(Alberto Sousa, 2003, p.189)
De uma forma geral, elas têm uma grande necessidade de se expressar, de se fazer ouvir, e para isso utilizam todo o seu potencial comunicativo para o fazer, desde a fala à mímica, passando pelo desenho. Quando observadas, estas crianças têm um enorme potencial comunicativo do seu mundo interior para o exterior, mas nem sempre os adultos estão disponíveis para as ouvir ou para dar atenção ás suas criações sejam elas mais artísticas ou mais cientificas. Há que aproveitar o turbilhão de energia, destas crianças, para potenciar as suas capacidades. É necessário saber como utilizar esse recurso a favor da criança. Para que o processo ensino - aprendizagem destas crianças tenha sucesso, é necessário que o professor tenha conhecimentos suficientes para poder desenvolver a criatividade que a criança demonstra.
O papel da escola é de extrema importância e o comportamento do professor perante a criança com PHDA pode influenciar o sucesso do tratamento.
Sem comentários:
Enviar um comentário