quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

"Sistemas sejam educacionais ou políticos não mudam misteriosamente, eles são transformados quando existe uma mudança fundamental em nós mesmos. O indivíduo é de suma importância, não o sistema, e enquanto o indivíduo não entender o processo total dele mesmo, nenhum sistema, seja de esquerda ou de direita, poderá trazer ordem ou paz ao mundo." 

(Krishnamurti)

PHDA - Alterações de Comportamento




"Hiperatividade vs Má Educação"

Por: Madalena Resende
 (Psicóloga Clínica)



A Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção é uma perturbação diagnosticada na infância que assusta muitos pais. O seu diagnóstico obriga à realização de um diagnóstico diferencial e o seu tratamento deve ser pensado caso a caso. Infelizmente nem todos os técnicos de saúde mental recorrem ao DSM-IV-TR para a realização de um diagnóstico correcto, sendo necessário (em alguns casos)  aplicar algumas provas psicológicas para a concretização do diagnóstico. Assim, poderemos supor que poderá existir um número exagerado de crianças diagnosticadas com PHDA.

 Pessoalmente gosto das crónicas do Dr. Henrique Raposo, publicadas no Expresso. No entanto esta crónica não foi “muito feliz”, como tal decidi partilhar a minha opinião pessoal e profissional sobre o assunto. A ideia de que as crianças de hoje são mal comportados é um cliché, tal como é a de que os pais apresentam dificuldades em impor a autoridade. Diariamente lido com pais que tudo fazem pelo bem estar dos filhos, muitos deles abdicando de outras esferas da própria vida devido ao pouco tempo disponível  é uma questão de prioridades. Já dirigi várias acções de sensibilização, workshops e palestras sobre temáticas tão diversas como as responsabilidades parentais, ensinar os filhos a lidar com a frustração, entre outras. Nunca ouvi nenhum pai, mãe ou encarregado de educação justificar o mau comportamento dos filhos com “a hiperactividade”, nem a utilizar a medicação como forma de compensação do tempo ausente, como resolução dos problemas. Antes pelo contrário, a maioria dos pais que me procuram fazem-no porque pretendem que os seus filhos tenham os melhores cuidados de saúde disponíveis no mercado e pretendem combinar a medicação estritamente necessária com uma técnica que permita, à própria criança ou jovem, aprender a lidar com as suas características pessoais – a Psicoterapia.

 O consumo de medicamentos para a Hiperactividade tem aumentado nos últimos anos, como já referi aqui no site em posts anteriores. A comunidade cientifica e o publico em geral encontra-se seriamente apreensivas com o efeito que os medicamentos tem na saúde e desenvolvimentos das crianças e jovens que os consumem. Ontem foi divulgado um estudo, liderado por Alison Poulton da Universidade de Sidney, que relacionou o consumo excessivo de medicamentos,  habitualmente utilizados para diminuir a sintomatologia da PHDA, com uma desaceleração maior do crescimento na adolescência. No entanto, a mesma investigadora refere que os adolescentes sujeitos ao estudo ainda podem crescer antes de atingir a idade adulta, visto existirem estudos anteriores que sugerem que os homens que foram sujeitos a tratamentos idênticos durante a infância atingiram a altura dos seus irmãos e pais. Assim, é essencial que a comunidade médica que receita estes medicamentos aos jovens manifestem cuidados redobrados nas doses ministradas e recorram a medidas alternativas, nomeadamente o recurso à Psicoterapia, que permite trabalhar áreas como a atenção, a memória e o controlo dos impulsos, entre outras. 
Noticia no Expresso: http://expresso.sapo.pt/as-criancas-nao-sao-hiperactivas-sao-mal-educadas=f780888
Noticia sobre a Medicação: http://visao.sapo.pt/tratamentos-contra-defice-de-atencao-e-hiperatividade-retardam-crescimento=f707731

Rótulos...

(...) "As pessoas não debatem conteúdos, apenas rótulos. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa..."




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