
"À Velocidade da Luz"
Dedicada inteiramente à PHDA,
edição de 2008.
(...) "Falar de Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA) é actualmente um assunto comum, muito embora polémico. As polémicas existem aos mais variados níveis, sendo a intervenção um dos mais frequentes. As questões são muitas: dos pais, dos professores e dos próprios profissionais de saúde. De facto, o grande objectivo da avaliação e do diagnóstico destas situações deve ser a intervenção, facto que deve representar uma responsabilidade acrescida para todos nós.
Segundo Shelton e Barkley (1995), a PHDA "não tem cura" pois não deve ser considerada uma doença ou uma patologia. Será mais adequado encará-la como uma perturbação do desenvolvimento, uma forma extrema de traços humanos normais, onde a diferença é de grau e não de qualidade (tal como para a inteligência, a altura ou o peso). Assim, e como refere Lopes (2003), não se “trata” a PHDA, aprende-se a lidar com ela e procura-se manter os seus sintomas dentro de limites que não se revelem gravosos para o próprio e para aqueles que com ele convivem." (...)
(...) "Pese embora toda a polémica, a realidade e a evidência das situações que surgem no quotidiano obrigam a pensar que é urgente que comecem a surgir programas de intervenção direccionados para a PHDA. Algumas evidências servirão decerto para nos convencermos o quão importante é que nos dediquemos a este tema:
a) a evidência de que a PHDA tem uma prevalência que se situa entre os 5% e os 7% na idade escolar, o que remete para a existência de uma situação de grande número de crianças afectadas;
b) que é uma perturbação que causa desadaptação em mais do que um contexto de vida do indivíduo, o que remete para o facto do “sofrimento” causado pelas características da perturbação ter um impacto social abrangente;
c) que persiste para além da adolescência e até à idade adulta em mais de 30% das situações, continuando a causar desadaptação na vida pessoal, profissional e social.
Estas evidências ao nível da prevalência e cronicidade (efectivamente a PHDA é uma perturbação do desenvolvimento de carácter prologando e crónico), aliadas a uma variabilidade sintomática e desadaptativa evidentes e intimamente relacionadas com os contextos de vida dos indivíduos, levam-me a defender a posição de que a intervenção não deve ser uma “receita”, mas um programa criterioso em função de cada caso.
Em Portugal existem já alguns serviços a implementar programas estruturados para a PHDA em função das necessidades nacionais. No entanto, há que criar uma cultura de publicação do trabalho que se faz, bem como de investigação efectiva dos seus efeitos." (...)
(Ana Rodrigues - Faculdade de Motricidade Humana
da Universidade Técnica de Lisboa)
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