domingo, 29 de janeiro de 2012

Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção e Perturbação Bipolar na Infância.


A infância é uma época estratégica da vida do ser humano. É quando se dá um grande desenvolvimento físico, psicológico e mental. A relevância da observação dos comportamentos e aquisições intelectuais da criança e do adolescente feita por pais e professores é imensa, mas não substitui uma avaliação médica e de especialistas em diferentes áreas, quando estes comportamentos fogem da frequência e intensidade usuais.

Até alguns anos atrás, poucas eram as doenças mentais reconhecíveis na infância. Com o aumento das pesquisas e o incremento de estudos científicos, os diagnósticos de várias perturbações psiquiátricas em crianças e adolescentes tornaram-se possíveis e decorrentes dessa nova condição. Aparentemente, os casos se multiplicaram numericamente e se tornaram mais conhecidos pela população em geral. Entre eles, a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção, com ou sem hiperatividade e a Perturbação do Humor Bipolar têm sido objecto de muitos estudos em vários países, pois ocasionam forte impacto sobre a vida escolar, pessoal, familiar e mais tarde profissional do paciente, especialmente quando não devidamente diagnosticados e tratados por equipes de profissionais especializados.

A PHDA, hoje muito comentada em função da amplitude da divulgação na imprensa, é um exemplo. 

Conhecida dos médicos há várias décadas, passou a ser objeto de estudo multidisciplinar e os resultados dos tratamentos têm sido, em sua grande parte, de enorme valia, tanto para os pacientes, como para suas famílias e a sociedade. Os prejuízos decorrentes da falta de diagnóstico e do acompanhamento médico vão do fracasso escolar à evasão, da baixa autoestima à depressão, da rejeição do grupo ao isolamento, às drogas, entre outras.

Infelizmente, a especulação por parte de alguns profissionais não credenciados para tal avaliação, ou ainda, diagnóstico feito por pessoas leigas, tem trazido mais problemas aos que já sofrem com esta Perturbação. Generalizou-se, irresponsavelmente, por exemplo, chamar de PHDA a toda e qualquer manifestação de inquietação, distração ou falta de limite que as crianças e jovens apresentem na escola ou em casa. Como consequência, casos em que a perturbação não existe de fato aparecem em toda parte, banalizando um problema sério e de grande repercussão sobre a vida dos pacientes reais e sua família. Estes falsos diagnósticos são geralmente feitos à base de "achismos" como o preenchimento de questionários ou testes sem qualquer base científica ou mesmo ao sabor das conveniências pessoais de alguns adultos, que pensam dela tirar proveito, seja para justificar uma educação deficiente em limites, normas e atenção à criança ou, ainda, a outros interesses particulares.

A Perturbação de Humor Bipolar em crianças é outro exemplo de doença psiquiátrica que exige seriedade no encaminhamento, pois, nessa faixa etária, a sua sintomatologia pode se apresentar de forma atípica. Assim, ao invés da euforia seguida da depressão dos adultos, nas crianças surge a agressividade gratuita seguida de períodos de depressão. Nestas, o curso da Perturbação é também mais crónico do que episódico e sintomas mistos com depressão seguida de "tempestades afectivas", são comuns. Além disso, a mudança é rápida e pode acontecer várias vezes dentro de um mesmo dia, como por exemplo: alterações bruscas de humor (de muito contente a muito irritado ou agressivo); notável troca dos seus padrões usuais de sono ou apetite; excesso de energia seguida de grande fadiga e falta de concentração. Esses são alguns sintomas que devem ser observados.

Os diagnósticos de perturbações da saúde mental são difíceis mesmo para os especialistas, pois é alta a prevalência de comorbidades, ou seja, o aparecimento de duas perturbações simultaneamente, o que exige conhecimento, experiência e observação minuciosa do médico e da equipe envolvida.

É importante salientar ainda que estas perturbações afetam seriamente o desenvolvimento e o crescimento emocional dos pacientes, sendo associados a dificuldades escolares, comportamento de alto risco, dificuldades nas relações interpessoais, tentativas de suicídio, problemas legais, múltiplas hospitalizações, etc. Os diagnósticos devem sempre ser realizados por médicos psiquiatras ou neurologistas em conjunto com outros técnicos especializados, que ao diagnosticarem e acompanharem a criança, se preocupam em dar também orientações à família e à escola. Minimizar essas perturbações só piora suas consequências e prejudica o paciente. Somente especialistas podem afastar e esclarecer as dúvidas e não é exagero ser cuidadoso quando se trata da vida, saúde e futuro dos nossos filhos!

(Maria Irene Maluf)

Fonte:
http://guiadobebe.uol.com.br/transtorno-bipolar-na-infancia/#.TxrlLBhvfJE.facebook

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