
"No início do século XX a PHDA era chamada de Disfunção Cerebral Mínima e alguns pesquisadores defendiam que estes quadros eram decorrentes de lesões cerebrais leves e moderadas, indetectáveis ao exame físico e que seriam a causa do quadro comportamental e cognitivo posterior.
Entre os anos de 1917 e 1918 surgiu uma nova hipótese para a ocorrência da perturbação, período em que ocorreu uma encefalite epidémica, atribuindo assim à encefalite letárgica ou encefalite de von ecônomo a causa da doença.
Neste período, a comunidade médica se deparou com uma epidemia de encefalite infecciosa entre a população. Muitas das crianças que se recuperavam da infecção apresentavam sequelas comportamentais e cognitivas semelhantes às da PHDA.
Na década de 60 pesquisadores americanos como Laufer, Chess e Denhof passaram a dar ênfase aos sintomas da hiperatividade como sendo núcleo de uma Perturbação. Nesse período originou-se uma abordagem mais sociológica e psico dinâmica em relação à doença já que os pesquisadores encontravam dificuldades em demonstrar as lesões cerebrais e passaram a não acreditar no modelo de explicação neurológica da doença.
A década de 70 é marcada pelo enfoque em certas características apresentadas pelo portador da PHDA, principalmente no que diz respeito à desatenção, à impulsividade e às alterações cognitivas no indivíduo. Esse período foi importante devido ao inicio dos primeiros ensaios controlados com psico estimulantes e, desta forma surgiram as primeiras críticas às altas taxas de crianças tratadas com estes estimulantes.
A década seguinte também trouxe avanços na pesquisa sobre a PHDA, principalmente no que diz respeito ao campo da etiologia. A partir de 1987 começou a ser chamada de Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção.
A década de 90 é considerada a década da neuro biologia em estudos sobre a hiperatividade. Nesse momento iniciam-se estudos com aparelhos como o SPECT, PET e Ressonância Magnética Funcional. Nesta década se conduziram importantes estudos para validar o diagnóstico e o tratamento em adultos com PHDA e dessa forma a validar o diagnóstico em adultos toma força.
Só recentemente a PHDA foi reconhecida como uma Perturbação. E com isso, pais, educadores e clínicos vêm-se tornando mais atentos e esclarecidos sobre a Perturbação. O maior acesso à informação vem tornando o diagnóstico mais frequente e seguro. No entanto, também vem ocorrendo uma certa banalização da doença, e qualquer comportamento mais agitado/activo de um indivíduo, principalmente se for criança, leva os pais e educadores a acreditarem que seu filho/aluno possui a Perturbação. "
Sem comentários:
Enviar um comentário